IFFar-FW
O presente trabalho objetiva analisar a relação entre a Inquisição Medieval, as mulheres e as práticas de tortura, considerando como o imaginário religioso e as estruturas sociais contribuíram para a construção das noções de heresia e desvio. O referencial teórico fundamenta-se principalmente na obra do historiador francês Jacques Le Goff para compreender representações, mentalidades e relações entre sagrado, profano e sobrenatural. Ademais, o autor auxilia na análise da tortura, do processo inquisitorial e da confissão. A metodologia consiste em pesquisa bibliográfica, qualitativa e histórica, baseada na análise de obras historiográficas e documentos medievais relacionados à Inquisição, à religiosidade e às experiências femininas. A perspectiva teórica articula História Cultural e História das Mentalidades, valorizando o imaginário como instrumento para interpretar práticas, crenças e representações socialmente construídas. Os resultados indicam que mulheres foram inseridas em relações de poder marcadas por normas religiosas e sociais, podendo ser associadas a práticas consideradas heréticas. A análise também evidencia que a tortura integrou procedimentos inquisitoriais específicos e juridicamente regulados, sendo empregada sobretudo para obtenção de confissões, sem constituir prática indiscriminada. A abordagem permite compreender que a perseguição não dependia apenas de acusações individuais, mas de um universo cultural no qual a autoridade religiosa definia fronteiras entre ortodoxia e desvio, atingindo mulheres de maneiras específicas. Conclui-se que compreender a Inquisição exige relacionar suas práticas repressivas ao imaginário religioso medieval, evitando interpretações anacrônicas e reconhecendo a complexidade das experiências femininas.
Referências bibliograficas: