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Este trabalho tem como objetivo analisar os eventos que possibilitaram o chamado Holocausto Brasileiro, ocorrido no Hospital Colônia, em Barbacena/MG, no século XX. Serão abordados os efeitos psicossociais à comunidade, justificados sob o pretexto de “limpeza social”. Observa-se que, na prática, optou-se por enclausurar sujeitos como: homossexuais, mães solteiras, vítimas de estupro, entre outras pessoas marginalizadas, consideradas “indesejadas” pelos grupos detentores do poder. As mais de 60 mil vítimas passavam por um processo de tortura e desumanização e, após falecerem, tinham seus corpos destinados ao chamado “comércio da morte”, prática na qual eram vendidos para faculdades de Medicina brasileiras da época. A metodologia adotada baseia-se em pesquisa bibliográfica e documental sobre o tema, tendo como objetos de análise o livro “Holocausto Brasileiro”, escrito pela jornalista Daniela Arbex em 2013, que documenta relatos de sobreviventes, ex-funcionários e pessoas diretamente envolvidas na rotina de violência das vítimas, e a produção audiovisual “Holocausto Brasileiro”, que complementa os relatos descritos no livro. A análise foi construída tendo como principal perspectiva teórica os conceitos de estigma e instituições totais, desenvolvidos pelo sociólogo canadense Erving Goffman, aliado à análise do contexto histórico e social do Hospital Colônia de Barbacena (MARTINO, 2021).Por meio da pesquisa, pode-se compreender como a ideia de “holocausto” não se aplica somente aos campos nazistas, mas também ao triste cenário do Hospital Colônia de Barbacena, no Brasil, no qual a tortura era justificada a partir de uma perspectiva eugenista, isto é, afastar, controlar e segregar pessoas consideradas socialmente indesejáveis. De tal modo, a apresentação foi organizada a partir dos resultados obtidos, que se baseiam nos fatos mais impactantes. O primeiro é o chamado “Trem de Doido”, expressão curiosa que marca a forma como os pacientes chegavam ao Hospital Colônia: com passagem ferroviária apenas de ida, sem qualquer explicação prévia. O segundo fato gira em torno dos relatos de sobreviventes e ex-funcionários do hospital, que escancaram a crueldade e a desumanização advinda do tratamento recebido. Como terceiro tópico, o grupo elencou as práticas da sociedade psiquiátrica da época, que não só impunha torturas, como eletrochoques aos pacientes, como acobertava a violação de direitos humanos no local, com o pretexto de “cura” dos considerados “loucos”. Esse cenário traz a necessidade do quarto fato, que expõe como a naturalização da tortura para quem era considerado anormal manteve o Colônia ativo por décadas. Os resultados convidam à reflexão acerca das ideias eugenistas, que fundamentaram o Holocausto Brasileiro e tudo o que ele representa: o roubo da dignidade e de outro fator irreparável, a vida humana. Para concluir, destaca-se a necessidade de trazer à tona as consequências do ocorrido e a importância da luta antimanicomial, de modo a resgatar o passado para que eventos como esse não assombrem o futuro da sociedade brasileira.
Referências bibliograficas:
ARBEX, Daniela. Holocausto Brasileiro. Rio de Janeiro: Editora Intrínseca. 2013.
HOLOCAUSTO Brasileiro. Direção: Daniela Arbex e Armando Mendz. Barbacena: Netflix, 2016. Disponível em: https://www.netflix.com/search?q=holocausto%20brasiel&jbv=81745085. Acesso em: 7 jul. 2026.
MARTINO, Luís Mauro Sá. 10 Lições sobre Goffman. Petrópolis, RJ: Vozes, 2021.