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As abelhas Jataí (Tetragonisca angustula) são nativas do Brasil e não têm ferrão. Essa característica, somada a uma capacidade de adaptação que impressiona, explica por que a espécie aparece tanto em quintais urbanos quanto em áreas rurais, muitas vezes sem que o morador perceba a colônia instalada perto de casa. Com a pressão crescente sobre os polinizadores nativos — desmatamento, uso de agrotóxicos, perda de áreas de forrageamento — entender o papel dessa abelha deixou de ser um interesse de nicho e passou a pesar diretamente na discussão sobre biodiversidade e produção agrícola. Este trabalho parte dessa constatação. O objetivo é mapear a importância ecológica da Jataí e mostrar, de forma concreta, o que ela representa tanto para a agricultura sustentável quanto para a meliponicultura, atividade que vem ganhando espaço entre pequenos produtores justamente por depender pouco de estrutura e insumos caros. A base metodológica é uma revisão bibliográfica de artigos científicos e materiais técnicos sobre polinização e entomologia, produzidos nas últimas décadas por pesquisadores brasileiros. A Jataí poliniza tanto a flora nativa quanto culturas de relevância econômica, como morango, café, tomate e diversas árvores frutíferas, com efeito direto sobre a taxa de vingamento dos frutos e sobre a qualidade das sementes produzidas. A espécie também produz um mel com propriedades medicinais reconhecidas, valorizado tanto pelo uso popular quanto por estudos que analisam sua composição, chegando a um preço entre R$800 e R$1.300 por/L. E, por exigir manejo relativamente simples e de baixo custo, a criação da Jataí se firma como alternativa viável — seja para quem quer investir em meliponicultura como atividade produtiva, seja para quem pensa o equilíbrio ambiental de forma mais ampla.
Referências bibliograficas:
MALAGODI-BRAGA, Kátia Sampaio. Abelha jataí polinizando a flor do morangueiro, , EMBRAPA 2020.