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A erva-mate (Ilex paraguariensis) é considerada um dos mais importantes símbolos da integração entre as culturas indígenas e a gaúcha, estando presente em grande parte da Região Sul do Brasil e também em países vizinhos da América Latina. O preparo da erva-mate colhida nas matas nativas era realizada pelos povos Guaranis e Caingangues em um método ancestral que passou a ser conhecido como carijo ou carijada. Diferente do processo industrial moderno, esse sistema confere à erva-mate um sabor e aroma defumados, resultantes da secagem lenta e cuidadosa sobre fogo brando. Portanto, o resgate e manutenção deste processo tradicional da colheita e secagem na carijada da erva-mate transcende a simples produção de um insumo para o chimarrão. Ele atua como um mecanismo de resistência cultural e preservação da erva-mate e da biodiversidade regional. O objetivo deste trabalho é demonstrar o processo de secagem da erva-mate para o chimarrão na tradicional carijada, evidenciando as boas práticas e os cuidados técnicos indispensáveis em todas as suas etapas.Este trabalho buscará mostrar as etapas de processamento da erva-mate desde a colheita até a sua secagem no carijo. A erva-mate utilizada para a carijada será colhida em plantas existentes na área do campus. A colheita será feita por meio de poda manual dos ramos com uso de tesouras e serrotes, os quais serão imediatamente transportados para o local da carijada. A próxima etapa será o sapeco dos ramos com folhas, a qual consiste na fase inicial e crucial no processamento de secagem da erva-mate. Nesta etapa os ramos e folhas verdes recém colhidos passam por um choque térmico rápido em contato direto com labaredas de um fogo de chão. Esse processo paralisa a fermentação, preserva a cor verde intensa e retira a umidade superficial, garantindo a qualidade da erva para o chimarrão. Depois disso vem o enfeixamento da erva-mate para ser colocada para secagem. Esta etapa consiste em atar pequenos ramos já sapecados em feixes compactos, facilitando o manejo, o transporte e a organização correta sobre o jirau do carijo. Posteriormente a erva passará pela fase de secagem que deve ser lenta e uniforme pelo calor brando do fogo e fumaça, num período aproximado de 18 a 20 horas. A secagem será iniciada na tarde da terça-feira e finalizada na manhã do dia seguinte. Durante a noite será mantida uma “ronda” para garantir o fogo acesso e evitar que ocorra a queima acidental da erva. A partir de então a erva estará pronta para as fases finais do processamento que são o cancheamento, a socagem e a embalagem. Espera-se com este trabalho mostrar ao público presente que o processamento artesanal da erva-mate não é tão complicado de ser realizado e poderá ser útil para as pessoas produzirem a sua própria erva para o consumo ou para a comercialização de um produto com características diferenciadas.
Referências bibliograficas: