IFFar-FW
A erva-mate (Ilex paraguariensis) representa um dos pilares da identidade cultural e econômica da região Sul do Brasil. O processo tradicional de produção, conhecido como carijada ou carijo é uma técnica ancestral de origem indígena (povos Guarani e Kaingang) que foi incorporada pela cultura camponesa e gaúcha. Diferente do processamento industrial, a carijada preserva métodos artesanais que conferem à erva um sabor defumado característico e um valor agregado ligado ao resgate histórico e à sustentabilidade dos agroecossistemas. O processamento artesanal da erva-mate, conhecido como carijada, é uma técnica tradicional que envolve cinco etapas essenciais: a colheita manual seletiva, o sapeco que é a passagem rápida pelo fogo para evitar amargor, a secagem lenta por 18 a 20 horas em uma estrutura de madeira sobre fogo, o cancheamento e socagem para trituração final. O objetivo deste trabalho é mostrar ao público participante as etapas de processamento da erva-mate que vão desde a sua secagem no carijo até o produto final, a erva para o chimarrão. A técnica de secagem consiste na colocação das folhas e ramos previamente sapecadas e organizadas em feixes sobre uma estrutura de madeira e taquaras verdes, conhecida como carijo. Este material então será posicionado sobre fogo brando com braseiro, onde o calor e a fumaça realizam a secagem lenta e uniforme dos ramos, garantindo a conservação das propriedades organolépticas da planta. Quando o material estiver plenamente seco será então retirado do carijo e passado pelo cancheamento que consiste em quebrar as folhas e ramos em particular menores com auxílio das mãos ou de alguma ferramenta de metal ou madeira. Em seguida, a erva será levada para ser socada em um pilão de madeira ou um soque mecanizado. Após ser socada a erva já poderá ser consumida no chimarrão ou embalada para ser armazenada. Por fim, espera-se demonstrar que a carijada é muito mais do que uma técnica de produção de erva para chimarrão; ela é um ato social de preservação cultural, troca de saberes comunitários e preservação da biodiversidade. Ao valorizar a técnica artesanal, promove-se a diversificação produtiva da agricultura familiar e a conservação das matas nativas. A carijada, portanto, reafirma o elo entre os homens e a natureza, mantendo viva uma tradição que define a essência do povo gaúcho.
Referências bibliograficas: