IFFar-FW
Ao longo da história houve dois modelos distintos de controle dos indivíduos que ficaram evidentes diante de epidemias: i) a exclusão e confinamento que foram praticados na Idade Média contra os portadores de lepra; e ii) a disciplina que emerge das medidas de controle contra a peste no final do século XVII, transformando o modo como as massas passaram a ser vigiadas pelo Estado. Nesse processo, Jeremy Bentham propõe um modelo arquitetônico que materializa essa fusão, desenvolvendo uma torre central de vigilância cercada por celas individuais iluminadas, de forma que cada detento pode ser visto a qualquer momento, mas nunca sabe se e quando está sendo observado. Com base nesse modelo de instituição panóptica, Foucault desenvolve o conceito de panoptismo que diferentemente de se limitar a um projeto de prisão, constitui um dispositivo de poder disciplinar que pode ser utilizado por qualquer instituição onde seja preciso controlar um grupo de pessoas sem o uso da força física, apenas com o auxílio da vigilância. O presente trabalho busca analisar as formas de vigilância nas instituições sociais o controle dos corpos na sociedade contemporânea que, para Foucault, trata-se da Sociedade Disciplinar. Estarão em tela aqui os mecanismos utilizados pelo Estado e como essas ferramentas se aplicam no psíquico dos “corpos dóceis” nos diversos tecidos da sociedade, tendo em vista a grande presença desses mecanismos no cotidiano, como nas prisões, nos hospitais, nas escolas e nas fábricas. A sociedade disciplinar também pode ser observada em obras literárias e cinematográficas que serão apresentadas como pano de fundo desse trabalho, como o romance 1984, de George Orwell, cujo regime totalitário do Grande Irmão e sua Polícia do Pensamento ilustram, de forma quase literal, a vigilância psíquica descrita por Foucault. Este estudo tem caráter teórico-conceitual, baseado em pesquisa bibliográfica a partir do capítulo "O Panoptismo", da obra "Vigiar e Punir", de Michel Foucault (1975). Espera-se que este trabalho contribua para a acessibilidade de conceitos filosóficos, evidenciando como o controle de corpos por meio da vigilância panóptica influencia a vida contemporânea.
Referências bibliograficas:
FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. 42. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.
ORWELL, G. 1984. Jandira, SP: Tricaju, 2021.
TADEU, T. (Org.). O Panóptico/Jeremy Bentham. 2ª ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2008.