IFFar-FW
O último ano do Ensino Médio representa, para muitos estudantes, uma etapa decisiva de preparação para o ingresso no ensino superior. Nesse período, os processos seletivos intensificam as demandas escolares e a pressão sobre os estudantes. O sono de qualidade é um aliado para uma saúde mental estável e contribui para o desempenho cognitivo e a aprendizagem, sendo recomendadas pela Academia Americana de Medicina do Sono (AASM) de 8 a 10 horas diárias de sono para adolescentes, condição que nem sempre está presente na rotina dos vestibulandos. Diante desse cenário, o presente trabalho teve por objetivo investigar como os estudantes vestibulandos do IFFar-FW percebem as relações entre qualidade do sono, ansiedade e rendimento escolar, propondo estratégias acessíveis que contribuam para a melhoria do sono e redução da ansiedade. Para a realização da pesquisa, foi aplicado um questionário a 50 estudantes do 3º ano do campus (dez estudantes por turma) que realizam estudos extracurriculares voltados a processos seletivos para ingresso no ensino superior. O questionário possuía 20 perguntas relacionadas à rotina de estudos, hábitos de sono, saúde mental, rendimento acadêmico e conhecimento ou utilização de técnicas de melhoria da qualidade do sono. Após a coleta, os dados foram tabulados e analisados por meio de estatística descritiva. Como resultados, identificou-se que 84% dos estudantes dormem menos que 7 horas por noite, valor inferior à recomendação apresentada pela AASM, e 77% consideraram as horas dormidas insuficientes para um bom rendimento nos estudos. Além da qualidade do sono, 63% dos entrevistados indicam sentir ansiedade frequentemente, relatando que essa condição está associada majoritariamente aos estudos preparatórios. Dos 50 participantes da pesquisa, 54% afirmaram já ter utilizado alguma estratégia para melhorar o sono e relataram algum benefício associado às práticas adotadas. Ainda, aproximadamente 60% dos participantes relataram melhora na disposição durante o dia e na qualidade do sono, e 26% relataram melhora na concentração e redução da ansiedade. Os relatos dos participantes sugerem benefícios percebidos associados a essas estratégias, especialmente quanto à disposição, qualidade do sono, concentração e ansiedade. Nogueira et al. (2026) sinalizam que a elevada pressão enfrentada por vestibulandos pode favorecer o desenvolvimento de ansiedade, comprometendo a qualidade do sono e o rendimento nos estudos, enquanto que a utilização de estratégias não farmacológicas facilmente aplicáveis podem reduzir a ansiedade e favorecer o relaxamento necessário ao sono (Goyal et al, 2014). A partir dos resultados, foram selecionadas estratégias não farmacológicas e acessíveis para apresentação na Mostra Regional de Ciências, como técnicas de respiração e meditação guiada, adequação da iluminação e outras estratégias voltadas ao relaxamento que, aliadas a outras práticas saudáveis e ao acompanhamento profissional, têm potencial para auxiliar na redução da ansiedade, na melhora do sono e, consequentemente, favorecer o desempenho cognitivo. Os dados evidenciam elevada frequência de sono insuficiente e relatos de ansiedade entre os participantes, reforçando a importância da discussão sobre hábitos de sono, organização da rotina e estratégias de relaxamento entre estudantes que se preparam para processos seletivos.
Referências bibliograficas:
GOYAL, Madhav et al. Meditation programs for psychological stress and well-being: a systematic review and meta-analysis. JAMA Internal Medicine, v. 174, n. 3, p. 357–368, 2014. DOI: 10.1001/jamainternmed.2013.13018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24395196/. Acesso: jul. 2026
INÁCIO, Livia. Sono insuficiente de adolescentes está associado a pior desempenho escolar, diz estudo da UFPR. Ciência UFPR, Curitiba, 5 fev. 2026. Disponível em https://ciencia.ufpr.br/portal/sono-insuficiente-de-adolescentes-esta-associado-a-pior-desempenho-escolar-diz-estudo-da-ufpr/. Acesso em: 11 ago. 2026.
NOGUEIRA, Anna Carolina Messias et al. O custo da aprovação e exaustão acadêmica: Impactos da qualidade do sono na qualidade de vida de pré-universitários. Research, Society and Development, v. 15, n. 5, 7615551108, 19 maio 2026. DOI: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v15i5.51108.