Epigenética: o DNA Escreve o Destino?

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CAROLINA GREGORY DIEDRICH 1 ; ANGELO BERTON STIVAL 2 ; CLARA BRAGA BASSO 3 ; EVELYN CRISTINA PADILHA GEMELLI 4 ; SOFIA ARGENTA MARIANI 5 ; TARCISIO QUEIROZ PELEGRINI 6 ; CARLA DEONISIA HENDGES 7
1DIEDRICH, C. G., e-mail: carolina.93089@aluno.iffar.edu.br 2STIVAL, A. B., e-mail: angelo.31070@aluno.iffar.edu.br 3BASSO, C. B., e-mail: clara.64048@aluno.iffar.edu.br 4GEMELLI, E. C. P. , e-mail: evelyn.76005@aluno.iffar.edu.br 5MARIANI, S. A., e-mail: sofia.15058@aluno.iffar.edu.br 6PELEGRINI, T. Q., e-mail: tarcisio.75043@aluno.iffar.edu.br 7HENDGES, C. D., e-mail: carla.hendges@iffarroupilha.edu.br

A epigenética estuda mecanismos que regulam a expressão dos genes sem modificar a sequência do DNA, podendo ser influenciados por fatores ambientais e experiências ao longo da vida (COSTA; PACHECO, 2013). Essas modificações podem interferir na forma como determinados genes são ativados ou desativados. Este trabalho tem como objetivo compreender como mecanismos epigenéticos podem influenciar a expressão dos genes relacionados ao comportamento humano, utilizando o personagem fictício Dexter Morgan, da série Dexter, como recurso didático para discutir a relação entre predisposição genética, experiências ambientais e características associadas à psicopatia. A pesquisa foi desenvolvida por meio de revisão bibliográfica, com base em livros e artigos científicos disponíveis em plataformas acadêmicas. Complementarmente, foi realizada uma análise crítica do personagem, considerando suas características comportamentais e psicológicas e estabelecendo relações com os conhecimentos científicos encontrados na literatura. Os resultados indicam que fatores ambientais e experiências vivenciadas ao longo da vida, especialmente situações de estresse e adversidades, podem influenciar mecanismos relacionados à regulação da expressão gênica. De acordo com McEwen (2012), o estresse prolongado pode provocar alterações hormonais e neurobiológicas associadas à ativação contínua do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) e ao aumento da liberação de cortisol, afetando regiões cerebrais relacionadas à memória, às emoções e à tomada de decisões, como o hipocampo, a amígdala e o córtex pré-frontal. Essas alterações podem repercutir na resposta emocional, na aprendizagem e no comportamento. A análise do personagem Dexter Morgan evidencia comportamentos representados na narrativa associados à psicopatia, como baixa empatia, ausência de culpa, manipulação e violência. Entretanto, a literatura indica que não existe um único “gene da psicopatia”, sendo os comportamentos agressivos e antissociais influenciados pela interação entre fatores biológicos e ambientais (RAINE, 2015). Características relacionadas ao comportamento antissocial, como impulsividade e agressividade, podem apresentar componentes hereditários, mas também são influenciadas por fatores ambientais e pelas experiências vivenciadas ao longo do desenvolvimento, evidenciando a interação entre predisposições genéticas e condições ambientais (MOFFITT, 2005). No caso de Dexter, os traumas vivenciados na infância podem ser discutidos, sob uma perspectiva epigenética, como experiências ambientais potencialmente relacionadas à regulação da expressão gênica e ao desenvolvimento de características comportamentais, sem que isso implique uma relação causal ou determinista. Conclui-se, portanto, que a epigenética não determina o destino de um indivíduo, mas contribui para a compreensão da interação entre predisposições biológicas e experiências ambientais ao longo do desenvolvimento. A análise de Dexter Morgan permitiu utilizar um personagem de ficção como recurso didático para discutir essa interação, reforçando que nenhum fator, isoladamente, determina o comportamento. Na Mostra de Ciências, o tema será apresentado por meio de painel e atividades interativas.

Referências bibliograficas:

COSTA, Everton de Brito Oliveira; PACHECO, Cristiane. Epigenética: regulação da expressão gênica em nível transcricional e suas implicações. Semina: Ciências Biológicas e da Saúde, Londrina, v. 34, n. 2, p. 125–136, 2013. DOI: 10.5433/1679-0367.2013v34n2p125. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/seminabio/article/view/5142⁠. Acesso em: 9 ago. 2026.

MCEWEN, Bruce S. Brain on stress: how the social environment gets under the skin. Proceedings of the National Academy of Sciences, v. 109, supl. 2, p. 17180–17185, 2012. DOI: 10.1073/pnas.1121254109. Disponível em: https://doi.org/10.1073/pnas.1121254109. Acesso em: 9 ago. 2026.

MOFFITT, Terrie E. The new look of behavioral genetics in developmental psychopathology: gene-environment interplay in antisocial behaviors. Psychological Bulletin, v. 131, n. 4, p. 533–554, 2005. DOI: 10.1037/0033-2909.131.4.533. Disponível em: https://doi.org/10.1037/0033-2909.131.4.533⁠. Acesso em: 9 ago. 2026.

RAINE, Adrian. A anatomia da violência: as raízes biológicas da criminalidade. Porto Alegre: Artmed, 2015. [Livro]

Palavras chaves: Ambiente; Comportamento humano; Expressão gênica; Psicopatia.

Obs.: Este resumo contém 425 palavras