IFFar-FW
O ensino de álgebra no 7º ano do Ensino Fundamental envolve desafios relacionados à interpretação de símbolos, aos diferentes usos da variável, à compreensão da igualdade e à passagem de procedimentos aritméticos para processos de generalização. Nesse contexto, o escape room educacional apresenta-se como uma possibilidade pedagógica de proporcionar uma abordagem diferenciada para esse conteúdo, cuja compreensão, muitas vezes, é considerada difícil. Dessa forma, a estratégia pode despertar o interesse dos estudantes ao articular narrativa, enigmas e colaboração, contudo, sua dimensão lúdica, por si só, não garante a aprendizagem conceitual. Este estudo objetiva analisar as contribuições, os limites e as condições pedagógicas dessa estratégia para o desenvolvimento do pensamento algébrico, bem como sistematizar princípios para o planejamento de desafios alinhados ao currículo. Realizou-se uma pesquisa qualitativa, bibliográfica e exploratória, organizada como revisão narrativa. O corpus reuniu 17 produções publicadas entre 1997 e 2025, entre documentos curriculares, livros, artigos científicos e dissertações, selecionadas por sua relação com o ensino de álgebra, o pensamento algébrico, as metodologias ativas, a gamificação e os escape rooms educacionais. Não houve intervenção com estudantes nem coleta de dados na escola. A análise indica que essas experiências podem favorecer a participação, a colaboração, a argumentação e a produção de registros que tornam visíveis os modos de pensar dos estudantes. Contudo, a literatura examinada apresenta, predominantemente, percepções e relatos exploratórios, com evidências limitadas de desempenho, o que impede afirmar a superioridade do escape room em relação a outras metodologias. Os achados mostram que seu potencial depende do alinhamento entre os objetivos algébricos, os enigmas, as ações esperadas e as evidências produzidas. Para ultrapassar a resolução mecânica de códigos, as tarefas devem mobilizar o reconhecimento de regularidades, a generalização, a distinção entre variável e incógnita, a equivalência de expressões e a justificativa de transformações, além de prever pistas graduadas, papéis rotativos, acessibilidade, mediação docente, registros do percurso e sistematização posterior. Com base nesses princípios, propõe-se, sem aplicação empírica, o "Arquivo das Regularidades", percurso composto por quatro desafios articulados para o 7º ano. Conclui-se que o valor pedagógico do escape room não reside no cronômetro ou no código final, mas na intencionalidade do planejamento e na possibilidade de transformar a resolução em uma experiência de investigação, comunicação e compreensão da linguagem algébrica.
Referências bibliograficas: