A construção da maternidade e da subjetividade femininina no conto "Nero", de Bethânia Pires Amaro

IFFar-FW

KAYTANO NUNES DE SOUZA FERREIRA 1 ; ARIANE ÁVILA NETO DE FARIAS 2
1Kaytano Ferreira, e-mail: kaytano.56003@aluno.iffar.edu.br 2Ariane Avila Neto, e-mail: ariane.farias@iffarroupilha.edu.br

A literatura brasileira contemporânea escrita por mulheres tem se destacado por ampliar discussões acerca dos papéis sociais historicamente associados às mulheres, como, por exemplo, a maternidade. Nesse contexto, Bethânia Pires Amaro, na coletânea O ninho (2023), constrói, no conto “Nero”, uma narrativa marcada por personagens femininas complexas a partir da construção de relações familiares conflituosas. Diante disso, a partir de uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica, desenvolvida por meio da análise interpretativa do conto, este trabalho tem por objetivo analisar como esse texto constrói representações do feminino por meio da maternidade, compreendida como uma prática plural, colocando em xeque os padrões estabelecidos pelo patriarcado. Ao apresentar uma família formada por duas mulheres que se veem diante da necessidade de dedicar-se à criação de uma bebê recém-adotada, a autora levanta reflexões sobre o trabalho de cuidado, a construção da prática materna e as diferentes formas de representação do feminino, evidenciando como as suas experiências são constituídas por expectativas sociais relacionadas a papéis socialmente atribuídos às mulheres . Além disso, a narrativa possibilita refletir sobre as múltiplas formas de constituição dos vínculos familiares e sobre os significados atribuídos ao fazer materno na sociedade contemporânea. A análise evidencia que o conto amplia as representações da maternidade ao concebê-la como uma experiência plural, desvinculada dos modelos normativos impostos pelo patriarcado. Por fim, esta pesquisa baseia-se nas contribuições teóricas de Elisabeth Badinter (1985), Adrienne Rich (1976) e Michel Foucault (1988).

Referências bibliograficas:

BADINTER, Elisabeth. Um amor conquistado: o mito do amor materno. Tradução de Waltensir Dutra. Ed. de bolso. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

FOUCAULT, Michel. Nascimento da biopolítica: curso dado no Collège de France (1978-1979). São Paulo: Martins Fontes, 2008.

RICH, Adrienne. Of Woman Born: motherhood as experience and institution. New York: W. W. Norton & Company, 1976.

Palavras chaves: Maternidade, Sujeito-mãe, Literatura brasileira contemporânea, Corpo.

Obs.: Este resumo contém 235 palavras